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Transtorno Obsessivo Criativo

[2008] Roteiro de um Curta

"in progress"

FADE IN:
1.     1.   EXT. centro de curitiba– tarde nublada

Pessoas sem nome e sem rosto andam pela cidade.

Narrador

Bem vindo a cidade nebulosa

Onde a solidão impera

Aqui um individuo se sentira sozinho

Aqui 3.335.588 de individuos se sentem sozinhos.

Se os indivíduos pudessem  dividir?

     2.   INT. corredor galeria - tarde                            

 

Corredor – SAM caminha até a porta de seu apartamento.Passando por inumeros CORREDORES.

CLOSE

Porta.

     3.   INT. Quarto de sam - tarde/noite

Sam joga a mala e deita em sua cama de olhos fechados, abre os olhos e observa o TETO.

SAM

Tédio.

 

Sam abre os olhos e senta.

 

SAM

Tédio.

 

Sam levanta e vai até a janela com as curtinas fechadas.

 

SAM

Tédio.

 

CLOSE

 

RETRATO na mesa – foto de amigos, rostos borrados.Sam apanha o RETRATO (Por trás da cabeça de SAM CAM)

SAM

Eu estou aqui em algum lugar. Onde?

 

4.   EXT. PATIO – DIA

Diversos jovens e Sam se preparam para tirar uma foto.O fotografo os alinha.

FotÓGRAFO

Um pouco mais pra direita, um pouco mais pra esquerda. Voce está tampando ele.Isso abaixa um pouquinho.

 

Jovems

Venha, venha. Xis!

 

O flash dispara.

5.   INT. QUArto de sam – tarde/noite . cont.

 

Sam se veste para sair.

 

6.   INT. corredor galeria - tarde                                 

 

Corredor – SAM sai do edificio passando por inumeros CORREDORES

7.   EXT. BAR – NOITE

Fachada do bar.

8.   INT. BAR – NOITE

Sentada numa mesa sozinha SAM escuta as pessoas no bar. O Bêbado fala e sam no fundo escuta

BUK

… E é por isso que eu digo, tem coisas que eles nunca tirarão de você. Seu estudo seu conhecimento, suas piras. Por que as piras.

Bêbado

…As piras! Que fim melhor que esse!

 

BUK

…Olha só, eu, tudo pra dar errado, mas Não . Um baita emprego, um carrão, dinheiro na conta. Pra poder , sexta feira vir aqui no bar, encher a cara pra pirar. Pirar certo.

 

Bêbado

Ahn, isso é uma fuga, só isso.

 

BUK

Tudo é fuga, desde os anos 50 tudo é fuga.

 

Bebado soca a mesa e ri forçadamente.

 

BUK

Sabe do que mais?

 

Sam responde baixinho.

 

SAM

O que mais?

 

BUK

Hoje as coisas estao em banho maria. Ha mais pessoas no mundo, mas onde estao elas? Voce nem mesmo sabe se o seu banco abrira no outro dia, pelo menos ha 50 anos atras todo mundo sabia onde estava. Hoje é um jogo de espelhos, e ninguem tem certeza do que o sustenta. Ou para quem estao trabalhando na verdade. Merda ninguem parece estar se importando com o estado das coisas, ou, se esta, esta em algum lugar que ninguem consegue ouvi-lo

 

SAM

Você pode me ouvir?

 

BUK

Amigo! Traz mais duas!

 

Buk levanta a garrafa de cerveja.

 

Bebado

Falou bem, o esquema é prestar atenção.

 

SAM

Olhem pra mim!

 

BUK

A vida escorre pelo dedos, cai no ralo e deságua aonde? Aqui ó nesse bar. Onde nada importa to aqui ó . Bebendo e pensando. Ninguém tira isso de mim!

 

SAM

Por favor, olhe aqui. Me ajude.

 

Bebado

Que horrível essas pessoas, olha, todas alienadas.

 

BUK

 

Eu me divirto. Olhe.

 

SAM vira o copo de cerveja, se levanta e grita.

SAM

Eu estou aqui, aqui. Mas não sei onde estou! Olhe pra mim! Fale comigo.

 

SAM agita BUK.

 

BUK

Nossa que isso. Ta louca.

 

Novamente SAM sentada na mesa atrás de BUK e BEBADO com o copo ainda na boca.

 

SAM

Acho que bebi demais.

 

Sam levanta e sai do bar.

 

 

BUK

Nossa, que massa hein. Gostosa!

 

Bebado

 

Ô ! Espetáculo.

 

 

9.   INT. QUArto de sam – TARDE/NOITE

O teto do quarto de SAM e SAM deitada sob ele.

SAM

Tédio.

Sam se veste

10.  EXT. BAR – NOITE

Fachada do bar.

11.  INT. BAR – NOITE

SAM senta na mesa que BUK e BEBADO estavam no dia anterior. Pede uma cerveja.Entram BUK e BEBADO e sentam com SAM.

 

BUK

Olá moça.

 

BEBADO

 

Oi Garota!

 

SAM

Tudo bem?

 

 

BUK

Muito bem, e você ?

 

SAM

Não, Não está nada bem, minha vida é uma merda.Ninguem fala comigo, desconfio que eu seja o ultimo indivíduo da face da terra.

 

BUK

Oi?

 

SAM

Isso é disso que eu to falando.Ninguem ouve. Todos ansiosos ignoram tudo o que você diz , ansiosos, esperando a vez deles de falar.

 

BUK

É, mas sabe o que ninguém nunca vai tirar da gente? O direito de…

 

SAM

Pirar, eu sei, olhe só esto ansiosa pra falar denovo. Você está me escutando. Eu estou sozinha. Muito sozinha. Não sei por que estou aqui. Não sei onde deveria estar. Que merda. Que merda. Queria ser ouvida, queria ser tocada.

 

CLOSE SAM

 

Queria, um abraço, queria companhia. Alguém que me escutasse. Não a merda de um cachorro. Você pode me escutar? Diz que sim. Diz que você não se importa de me escutar.

 

END CLOSE SAM

 

As cadeiras em volta de SAM onde estavam BUK e BEBADO estão vazias.

12.  INT. corredor galeria - tarde                                 

 

Corredor – SAM entra no edificio passando por inumeros CORREDORES. Chega a porta.

 

13.  INT. QUArto de sam – tarde/noite . cont.

 

Sam se deita.

 

SAM

Qual é o sentido ? Se sozinha, não tenho com quem covnersar e em grupo desapareço. Queria que alguém entendesse. Eu estou no padrão. Peso, altura , rosto. Por que ? S ao todos vazios assim?

MELHORAR ESSE MONOLOGO!

 

Sam se vira e chora em seu travesseiro.

14.  INT. corredor galeria - NOITE                                 

 

Corredores vazios.

 

15.  EXT. BAR – NOITE

O Bar está fechado.

 

16.  INT. QUArto de sam – tarde/noite . cont.

 

A Cama vazia

 

 

 

 

 

 

THE END


[2007] Compendium - Dia do Julgamento II

Volto ao centro velho, está em minha frente o mendigo, aquele mendigo, o que matou a todos e a ninguém.


- Me diga, o que você está fazendo aqui. Você provocou isso ?
- Não, o mendigo respondeu. Quero saber se todos esses anos serviram pra alguma coisa.
- Qual é seu nome? – Repliquei.
- Nome? – O mendigo estava assustado com a pergunta.
- Sim, qual é seu nome?
- Meu nome é Alguém.
- Alguém. – Ele não quer me dizer, concluí.
- Me diga algo, qualquer coisa. - inquiriu o mendigo.
- A ultima coisa? Bem, tem algo que sempre quis discutir, mas nunca achei alguém com paciência o bastante.Você deverá servir.
- Já pensou que, o que diz o que você é são os outros? Meu nome, só significa algo pra alguém. E não tem sentido, pois eu posso inventar um nome para mim. Pode me chamar de Espectro.

- Certo, Senhor Espectro. - responde o mendigo muito interessado.
- Então, eu sou o que eu significo pra você, pra você eu sou um pedestre curioso, que sabe que o mundo vai acabar.E não sabe o que fazer a respeito.Pra minha família sou o ganha pão, o que sempre traz a comida, e agüenta os problemas de todos. Na minha empresa eu sou o gerente. Sempre ocupado e eficaz. Para deus eu me chamo Pedro mas, nenhuma dessas facetas sou eu. Em verdade não sei quem eu sou. Sou uma marionete da Secretária.
- Secretária?
- Gosto de imaginar que existe uma secretária que controla minha vida, isso explica a ordem de plástico. Olhe aquelas pessoas ali. Elas nunca vão te olhar nos olhos. Elas esqueceram quem são. Elas vivem essa fantasia que a secretária entregou. Quando o dinheiro acabar. Vão ser sugadas pelo vazio de si mesmo. Vão se drogar, se matar e nada vão encontrar.Eu não sei, não sei o que sou. Só sei que me sinto bem aqui. E que gosto de ler.
- E qual a conclusão que você chegou?
- Que eu não sei se estou vivo.
- Olhe a sua volta.
Havia uma multidão de corpos mortos, perambulando pela cidade. A muitos faltavam partes do corpo, mas eles seguiam andando.A visão era grotesca. Sentiu as pernas falharem, caiu sentado. Os corpos não tinham destino, apenas seguiam andando.De tempo em tempo eles se chocavam. Mas nunca olhavam uns para os outros.Olhei para o mendigo.Mas ele não estava lá. Lá havia uma criança. Devia ter uns doze anos.
- Parabéns. – Ele disse.
Olhei para minhas mãos, eram muito pequenas.Levantei-me. Estava muito baixo.
- Não, são muitos que se salvam. Quer me ajudar a salvar mais alguns?

 

 

[2007] Compendium - Redenção

- Desculpe, mas com seu histórico, você vai para o inferno.

- Meu Deus do céu! Meu histórico é imaculado.

- Eu não sou seu! Eu sou de todos. Viu como vocês são egoístas?

- Me desculpa, mas me diz o que eu fiz de tão errado pra ir pro inferno! Eu nunca matei, nunca traí minha mulher, nunca faltei com minhas obrigações na igreja…

- Você, você, você…Eu sou comunhão, integração, você num lembra do que meu filho disse a vocês?

- Eu fiz o que ele disse!

- Não fez, você fez tudo achando que ia para o céu.E só por isso que você o fez.

- Mas, mas… eu não entendo!

- Nos últimos tempos está sendo demasiado difícil alguém entrar no céu.Bem, o inferno fica descendo aquela escada.

- Me dê uma chance, alguma coisa.Qualquer coisa! Eu quero provar que eu sou bom!

- Não. Não e não.

- Meu Deus do céu! Por favor!

- Eu não sou seu! Mas que chatice.

- Nossa senhora!

- A velha saiu, tá de férias.

- Deus, não tem jeito mesmo?

- Às vezes eu acho que sou misericordioso demais…

E assim Deus enviou o pobre Pedro de volta a terra, com uma missão simples, ele teria conseguir a atenção de uma pessoa por dez minutos.E para conseguir dez minutos ele teria uma hora. Abriu os olhos e se situou. Estava em plena rua das flores trajando roupas imundas, era um mendigo, fedia como um mendigo e até alguns dentes lhe faltavam à boca. Faltavam dois minutos para o meio dia e o centro fervilhava.Próximo dele veio um comerciante, que o chingou e disse que iria chamar a polícia se ele não levantasse dali.Pedro explicou a situação.mas o velho não lhe deu atenção.Entendendo o peso de sua tarefa ele se esmerou ao máximo tentando chamar a atenção das pessoas.Gritou, correu,fez malabarismos, imitou um cachorro e nada. Ninguém lhe dava atenção. Até que ele teve uma surpresa mais que bem vinda. Seu melhor amigo Jonas! Estava ali carregado com uma mala enorme.

- Jonas! Jonas! Sou eu! Pedro! Fala comigo!!

- Pedro morreu.Sai daqui mendigo.

- Jonas, sou eu olha aqui.

- Vá trabalhar vagabundo!

Mensurou o peso de sua tarefa, era impossível.Ele fizera isso tantas vezes, ignorara, fugira desses tipos maltrapilhos e fedidos.Sentiu-se desconsolado. E pensava O que será de mim ? De tanto perambular, ele acabou na praça Osório sentado num banco. Até que a sorte sorriu pra ele. Um homem moreno, de bigodes fartos e expressão alerta carregando um pacote de roupas foi até a frente dele e perguntou:

- Quer trabalhar comigo e ganhar essa roupa?

Era uma roupa da moda, daquelas que Pedro sempre quis.

- Ele responde de imediato - Sim!

- Então, é um ramo muito bom, Sim, sim. Você irá perguntar lhes isso e depois entregar a resposta pra mim. Só isso.

- Que fácil!- sorriu Pedro.

- Importa-se com o que será feito dos nomes?

- Não!

- Então vista essa roupa nova.

Ele vestiu, e foi à luta, faltavam alguns minutos. Ele havia de conseguir.Mas as pessoas que antes o evitavam se puseram a correr dele.Ao invés de desprezo ele arrancava caretas de desespero das pessoas. Mas ele tinha 20 minutos ainda…

Entretanto, Pedro não conseguiu.

Chateado e já conformado ele chegou à sala de Deus e viu quem estava lá. O mesmo homem bigodudo, que agora exibia dois pares vistosos de chifres.

- Espera aí, você é o diabo? Perguntou um espantado Pedro.

- Não! Eu sou tua mãe! É obvio que eu sou o diabo!

- Mas você me ajudou!

O diabo respondeu com uma longa risada. E Pedro foi acolhido com festa no inferno.

Para esclarecer a armação do Diabo lhes dou essa pista, queridos leitores, o que estava escrito, em letras grandes na vistosa roupa que Pedro ganhou do Diabo:


Crédito Fácil é na LOSANGO!

[2007] Compendium - O Dia do Julgamento

De todas os bairros da minha cidade, eu sinto-me mais á vontade no Centro Antigo. Os prédios antigos semi restaurados, meio destruídos. A calçada mais velha do que todos que andavam sobre ela. O Centro Antigo não era bonito, era especialmente feio e mal cuidado. Era tomado pelos tipos mais estranhos que todos evitavam, mendigos e meninos de rua. Era estranho como a calçada onde os mais ricos se esbaldavam há 40 anos hoje era o reino dos malditos. Não sei porque, mas me sinto bem andando pelo Centro Velho. Num dia especialmente nublado, não que minha cidade tenha muitos dias ensolarados, mas esse realmente despertava a mais profunda melancolia de um estrangeiro. Eu estava normal, não gosto de me traduzir como feliz, pois sei que logo fico triste, e se digo que estou triste logo fico entediado. E se fico entediado logo fico feliz por quebrar o tédio vindo aqui. Portanto prefiro ficar “normal” a maior parte do tempo. Neste dia, conheci um personagem especialmente curioso.Era um mendigo, andava com um mendigo, mas não cheirava mal. Eu até podia reconhecer o perfume que tantos transeuntes me obrigavam a sentir. Era barato sem dúvida.Mas um mendigo perfumado era uma visão única. E ele carregava uma placa. – O fim do mundo já chegou. Isso derrubou minhas expectativas, devia ser um crente, que queria me converter. Maldito Hobby esse não?

- Olha aqui irmão. Venha se alienar comigo.

- Não, obrigado.

Estava desistindo dele quando novamente outra qualidade apareceu. Ele me olhou nos olhos. Isso é raro. Ninguém faz isso. Senti minha alma sendo examinada.
- Não acredita? – Disse o mendigo rompendo o silêncio.
- De fato, ele vai acabar. Eu não acredito que Deus ou qualquer um de seus amigos estejam por trás disso. Quem vai destruir isso aqui é o Homem. – Eu disse.
- Errado amigo, Vai acabar hoje. E não tem nada que você possa fazer a respeito.
A revelação do homem me chocou profundamente, é um daqueles momentos onde a ordem de tudo se abalava. Pra mim essa mesma ordem era um mistério, eu questionava as coisas simples, os protocolos do dia-dia. Se existe um ser superior acredito que é uma secretária, mal humorada e mal paga. Que só sabe seguir procedimentos. O garfo fica ao lado da faca, o menor garfo é o da salada, e as pessoas devem estudar quando crianças, para se tornar adultos confiáveis que casam com outros adultos confiáveis e tem filhos.Filhos que carregam os fardos dos pais que descarregam seus medos nos filhos. Maldita ordem maldita.Entretanto a secretária foi cochilar, e agora este mendigo estava mudando as regras. É como se a realidade toda se curvasse.Mas logo a excitação passou. E veio o medo.
- Como vai acabar? Atrevi-me a perguntar.
- Esta sentindo isso? Esse cheiro horrível? – perguntou o mendigo.
E no que o cheiro foi mencionado, um odor horrível invadiu minha narinas, era cheiro de carne podre. Apertei meu nariz, impedindo que o fedor me incomodasse mais.
- Sabe, você ainda está respirando amigo. – Comentou o mendigo.
- E você, não sente nada? De onde isso vem? – perguntei.
- Dos esgotos.
- E isso vai me matar? - Parecia uma pergunta idiota, mas queria ter certeza.
- Sim.
E o mundo rodou, de vez. Parece que a secretária tirou férias, ou morreu. Não importa, ela não está mais lá. Tentei me acalmar, podia ser tudo blefe.Foi aí que a pomba caiu.
Como um pedregulho, a pomba caiu. Morta. E as outras pombas gostaram da idéia. Todas as pombas caíram. Não havia sinal ou marca. Apenas o cheiro forte que eu tentava evitar.
- Não há como sobreviver?
- Há, sempre há. Mas a pergunta é. Você tem certeza que quer isso?
Abri a boca para dizer sim, quando uma onda de pensamentos me acometeu. Os outros. Como salvaria os meus? Minha família mora em outra cidade.Meus amigos estão todos trabalhando - ocupados.Todo mundo está fazendo algo importante.Ninguém vai prestar atenção. Ninguém nunca presta atenção.

E então morreu.

 

Entoa em minha mente uma canção quase esquecida.

 

All dead all dead
But I should not grieve
In time it comes to everyone
All dead all dead
But in hope I breathe
Of course I don’t believe
You’re dead
And gone
All dead
And gone

 

Decidiram tirar o chão dele, afinal quem ele era para ter o chão abaixo de seus pés? Respirar? Quanta  prepotência! Quem ele achava que era? Só porque ele nasceu com o chão abaixo não quer dizer que sempre seria assim! Primeiro a náusea, não havia onde pisar. Teve medo de cair, cair aonde? Não havia chão! Isso lhe tranqüilizava, mas não muito. Aí lembrou que tinha acabado de morrer. Medo do quê ?

 

- O que será de mim?- Ele se perguntava - Agora que eu não tenho chão? Vagarosamente, superou o enjôo e começou a movimentar-se, o medo saiu de seu coração sendo substituído pela emoção. Estava se movimentando de maneira incrível! Não dependia nem das pernas, nem dos braços. Tim era livre, podia ir aonde quisesse. Em menos de quinze minutos já parecia absurda a idéia que já ouve um chão. Encontrou seus iguais, homens, mulheres e crianças – Sem chão. Os sem chão não são um problema, e muitas vezes tampouco são notados. Os sem tetos sim, esses são um problema, a ambição é complicada. Já não basta o chão querem o teto. Ele continuou vagando sem chão.Foi pra cima, ou desceu. Não importa. Achava que subia, subiu, subiu e subiu. Encontrou algo em que pudesse tocar.

[2007] Compendium - Prisão e $$

Prisão


Ele me disse: - Alguem que tenha vivido um unico dia, pode passar o resto
de sua vida,lembrando e relembrando.Pena que o Estrangeiro,teve de morrer
para perceber isso.Acho que maioria das pessoas vive entre quatro e cinco
anos. Não mais.
E no entanto apenas cinco horas bastariam. Com cinco horas seria possivel garantir o avanço da nossa civilização, e que a mesma exista.

$$
Os crentes rezam e me impedem de passar, os amigos temem e me impedem de
sonhar e você? Vai dizer que não quer ganhar dinheiro?

 

As ruas de Metropolis estavam vazias, afinal, todos estavam trabalhando.Ele começou a caminhar, a rua era de asfalto novo e o passeio de concreto cinza,plano e totalmente imaculado. O clima estava agradável, e vagarosamente a cadencia dos passos de William se fazia escutar.Passos, tímidos como formigas adentrando o reino de um gigante.William entrou num estado de torpor, não sabia se ele estava movendo as pernas ou se as pernas estavam movendo ele. E a cadencia continuava.A rua era padrão, limpa , graças aos moradores de Metropolis.

- Jogue o lixo no lixo.Nunca no chão. -  novamente, a mesma voz em sua cabeça.

- De novo não! E voltou a se concentrar na cadencia hipnótica dos seus passos. E continuou andando sem pensar aonde ia, apenas andando, mantendo a cadencia.Examinava o chão as casas idênticas, e o céu que estava muito mais bonito que de costume.Aquele caminho era muito bonito,talvez ele pudesse passar por ali diariamente quando voltasse a trabalhar.E seguiu pela ladeira, andando,andando. Até que entendeu onde estava indo.

 

William estava na frente da fabrica de componentes C3,Era um prédio alto, todo em vidro azul, uma jóia da arquitetura moderna,onde centenas ou até milhares de pessoas trabalhavam, era ali no posto 334A que William passava um terço do seu dia.Isso lhe aborreceu,afinal era o ultimo lugar que ele queria ver.Então se propôs o seguinte, toda vez que quisesse virar a direita viraria ao lado oposto.E seguiu andando, toda vez que ele se flagrou querendo virar a direita virou a esquerda e vice versa.Após duas horas andando William viu o que nunca tinha visto na vida,uma casa abandonada.

 

 

Ele se sentia estranho em relação a isso, pois ele era o único que reclamava de tudo.

- Deve existir algo mais – ele pensou.ou eu simplesmente estou ficando louco. A idéia de ficar louco não o assustava. O que assustava era estar errado. Mas o que o diferenciava dos demais? Tinha tudo igual a todo mundo. Mas isso não era o bastante.Era estranha a sede, que brotava de William, uma sede de conhecimento.De algo palpável.A única coisa que tinha acontecido a ele, era a doença, que tinha afastado ele do seu trabalho e de sua rotina.O prato estava pela metade e não dava mais, ele não agüentava mais. Ele tinha de comer tudo.Até o final! Até o final! Não era certo deixar nada na bandeja. E voltou a comer. Deu uma,duas na terceira garfada ele parou novamente.Não quero mais, Não quero mais! E se levantou.Largou tudo como estava e subiu as escadas.

[2007] Compendium - Minha historia em Mi menor

Sigo tateando a superfície branca até achar o botão,
- Pronto.
Para o meu espanto a luz acendeu e o som da orquestra encheu meus ouvidos. Estavam todos os instrumentos lá, os tambores, o piano, os metais, o violino, ó doce violino. Que harmonia! Que sentimento! A musica me lembrava dos melhores dias da minha vida.Os campos verdes se estendiam até o infinito onde eu corria livre com meus amigos.O céu tão azul, o clima tão agradável. A brisa motivando a grama a dançar, uma valsa suave, que anuncia a primavera deste sonho. E a musica prosseguia, me lembrando daquela menina que comigo valsava sobre a grama dançante.Aquelas mechas castanhas tão vivas, só tinham minha atenção roubada por aqueles lábios, que eram incomparáveis a aqueles olhos igualmente castanhos e brilhantes. Lembro daquela arvore que, de bom grado, cedia sua sombra a meu cansaço, que esvaía em minutos.
Não, ali o tempo não importava.Simplesmente não fazia sentido. Os dias eram meus, o campo era meu. Tudo estava ao meu alcance. Lembro de todas as aventuras que ali vivi, escalando arvores e afugentando os invasores daquela esplanada. Lembro de minha mãe me chamando a almoçar, o aroma entorpecendo meus sentidos, e o sorriso tenro que eliminava qualquer moléstia.Ó sinfonia perfeita! Os metais silenciaram e só o piano continuou, como sinto falta disso tudo.O por do sol, me tingindo de vermelho, me chamava para casa, mas eu seguia no meu campo. Esperava pela grande lua branca, minha companheira.Ela vinha comigo passear, guiando meus caminhos com sua aura branca.A noite era dia em seus domínios. E agora o crescendo que finalizando a canção me oblitera com a essência de tudo que me agradava. Eu amei e fui amado, protegi e fui protegido. Vivi sem medos perseguindo os meus sonhos.Estou satisfeito.
Aquela melodia era perfeita, era meu diário, meu confidente perfeito. Ali estava escrita a minha história, a história da vida que eu nunca tive.
Tateio novamente a superfície lisa, desta vez para desligar meu ipod.

[2007] Compendium

Infancia

Um dia descobri que eu era alguém e não outra pessoa, e que se fosse outra pessoa não seria eu. Descobri que as outras pessoas sentiam,pensavam e enxergavam como eu. Só que um pouco diferente.

Queria ser outra pessoa pra variar.

E Se trocassem de repente ? E você não notasse ? E se todos os outros fossem apenas coadjuvantes da minha vida ?

Eu queria

Desde pequeno eu vejo pontos pretos flutuando na frente dos meus olhos eles nunca estão lá

Quando criança eu queria :

Ter 15 anos

Ter dinheiro e comprar uma ilha. Uma ilha é um pedaço de terra cercado por todos. Haviam varia ilhas vazias. NA Ilha haveria um gerador para energia elétrica.Haveria muito o que fazer. Me assusta hoje a idéia que queria ir pra lá sozinho. Crianças não tem medo de ficar sozinhas.

Hoje eu tenho.Muito medo.

os lados

 

Alienação I

 

- Termine a bandeja! Termine a bandeja! -Martelando novamente veio a voz na sua cabeça.

De quem era a voz? Não reconhecia, só sabia que não era sua.

- Bom seja quem for, Eu não quero! Aquilo é horrível! - Pensou. E novamente :

Termine a bandeja! E ele respondeu:

- Não! Eu não quero! - E imediatamente se sentiu tremendamente idiota pois havia acabado de gritar.Tendo superado o momento, perdeu a vontade de ler, e resolveu sair dali,desceu as escadas,e saiu.

Sozinho

O fone de ouvido só funciona do lado esquerdo, o livro eu esqueci em casa.É
Pedro, hoje você não vai poder fugir.É Você e o real.
Ninguem mais. Nada
mais. Os restos do final de semana perfeito ainda estão na sua mente. E
você querendo voltar. Voltar pra onde José ? Ir pra onde ? Vivemos esse
vazio permanente, compramos joias para enfeitá-lo,colorimos o vazio,juramos
para nós mesmos e para qualquer transeunte que o vazio é bom. E que não
existe outra forma. Cinco horas bastariam. Sono,má vontade, preguiça e
senso do dever corrompem qualquer um.O telefone toca. - A violência está
cada vez mais perto, Coelho! Continue a cavar. Esqueça o fato que já houve
um sol. É, a grande secretária mal-paga que controla o mundo continua a se
vingar. Devemos suborná-la ? Ó maldita eminencia parda.

[2007] Compendium - Prefácio

 

De fato, não tenho nenhuma inspiração para escrever agora.Todos meus temas se tornaram banais perante o juiz implacável que sou.Mas ainda persiste o impulso e a vontade, que são inerentes a mim. Eu quero ser livre. E a produção literária se tornou minha fuga. Quero escrever as histórias todas que surgem na minha cabeça, quero ser o Tolkien dos seus filhos. Mas é difícil. Não consigo me atar a uma mesma corrente tempo suficiente. Indago-me agora se estou escrevendo pelo motivo certo, é algo que realmente quero fazer? Orwell era compelido pela vontade de contar a verdade, e por isso escreveu. Eu não quero contar a verdade, pois ignoro todo o conceito. Eu quero prover uma experiência única.Que eu gostaria de percorrer, uma história complexa, mas não complicada.Extensa o suficiente para roubar um pouquinho de sua vida e interessante o suficiente para que você o faça de bom grado. E então ? Você gostaria de conhecer um pouquinho de mim? E um pouco de si? Quer percorrer o caminho que Ivanhoé, Frodo e o Christopher percorreram? Está disposto a aceitar de bom grado que eu distorça seus valores? Só um pouquinho? Não sei, mas por que continuo? Não posso me assegurar ser benigno nem maligno, é apenas uma nova experiência. Nova? Quero gerar sonhos, quero gerar mudança. Mas não posso mudar ninguém, é como o jogo que ensinaram nos quando moleques. Fomos enviados aqui com o objetivo de salvar a nós mesmos. Ninguém mais. E isso a mim é muito errado. Afinal, acho que escrevo por que me sinto solitário. Que diabos, ninguém pode entrar dentro da minha cabeça pra fazer companhia pode? Mas eu posso popular sua cabeça com meus sonhos e assim estaremos juntos. Você gostaria disso? Eu também.

[2007] Nosmo

O Calombo

A planície artificial era completamente lisa. Exceto por um calombo. Era um calombo estranho,todos percebiam mas ninguém o notava. O calombo era disforme, não era uma lombada, não era um buraco, era alguém, que logo atenderia pelo nome de Nosmo.

 

- Quem sou eu? – Este perguntou.

Nosmo achou muito pertinente a pergunta, afinal, é vital saber que se é para começar.

A resposta não veio. Tentou novamente, penetrou fundo em si próprio e enxergou milhares de portas com títulos que deverias ser muito importantes - Afinal estavam todos escritos em Arial 12 e em negrito. Procurava pela porta que indicasse sua memória, seguiu por diversos corredores, tomou a primeira bifurcação a direita e a segunda a direita novamente. Virar a direita parecia ser muito mais sábio, afinal ninguém gostava da esquerda. – Nunca confie num canhoto! – Era o que havia encontrado escrito num papelzinho surrado ao chão do primeiro corredor. Era verdade, junto com o papel veio a lembrança de pessoas que nasceram “de esquerda”, e logo que tiveram a chance se tornaram “de direita”.Seguiu ,seguiu e seguiu pelo corredor e encontrou. Era uma porta velha, de madeira, que tinha “Desde 1985” marcado na maçaneta.

Dentro da sala havia um senhor careca, usando um uniforme bege e um crachá que se lia - Roberto, chefe do arquivo.

- Como posso ajudá-lo senhor…

O silêncio era irritante era como se Roberto esperasse que ele dissesse algo. Mas o quê? Senhor… Seu nome talvez. Decidiu que era o nome mesmo.

- Não me lembro. Vim aqui para me lembrar.

- Senhor, sem brincadeira – respondeu Roberto obtuso – Estou muito ocupado.

- Desculpe – me, mas realmente não sei qual é meu nome.

- Seguranças! – bradou Roberto enquanto Nosmo era chutado pra fora de sua cabeça.

 

 

A planície continua lisa e o calombo continuava lá. Abriu os olhos notou que tinha braços e temeu pelo pior – E se fosse canhoto? Suou frio,afinal para ser canhoto bastava o braço esquerdo estar lá – e estava. Procurou algo que pudesse pegar, tateou a sua volta e pegou. Com direita! Encheu-se de alegria e gritou!

 - Aaah!

Assustou-se, que ruído estranho era aquele? Esperou.

Passaram se alguns minutos de silencio. Vagarosamente Nosmo puxou para si o objeto que tinha apanhado há pouco. Identificou aquilo como um crachá que dizia:

“Nosmo” Exultou novamente.

 

Seu nome era Nosmo!