TOC

Transtorno Obsessivo Criativo

NPC

Josias estava mais feliz do que nunca,mas isso não queria dizer muita coisa. A verdade é que Josias não teve uma vida boa. Órfão de pai pelo que sua mãe o contou - Josias aprendeu cedo o que é passar fome. Sua mãe o mandava dormir cedo quando ele reclamava. – Dorme que a fome passa! Ela pulava de um emprego pro outro no mesmo ritmo que Josias pulava de uma escola para outra. Nunca tinha tempo de fazer amigos tanto na rua quanto na escola.  Josias pulou aqui e ali até que fez dezesseis anos e começou a trabalhar. Sua mãe parou de trabalhar no mesmo dia.  Josias mantinha dois empregos para chegar em casa e ver a mãe apanhando de algum bêbado que ela tinha acolhido em sua cama. Os braços magrinhos de Josias nunca eram suficientemente fortes para deter o bêbado. Ele então entrou na academia de Jiu Jitsu do bairro. Aos 18 anos ele consegui espantar o primeiro bêbado. Espantar é maneira de dizer-  ele quase matou o vagabundo. Os músculos renderam um emprego de segurança que pagava muito melhor que os escritórios em que ele trabalhava. Josias agora ficava plantado na frente de um prédio chique. Ele observava tímido as secretárias que passavam por ele rindo.Certo dia Nelson, o que ficava a noite, arranjou um encontro para ele. Vestindo sua melhor roupa Josias encontrou Diana. A linda secretária estava perdidamente apaixonada.  Em algumas semanas o namoro ficou sério. Eles queriam casar mas um parasita ainda se alimentava do dinheiro de Josias. A velha e suas manias impediam que Josias guardasse qualquer dinheiro. E é obvio que a mãe de Josias desaprovou Diana totalmente. Misteriosamente após um trabalho encomendado por Diana a velha teve um infarto. Josias sofreu muito mas sentia seus ombros relaxados. Tinha agora uma poupança para casa que moraria com Diana e pensava em ter filhos. O dia estava lindo.

- Hello ?

Uma gringo bombado com sotaque russo e óculos escuros estava pedindo para entrar no prédio. Josias arriscou o seu inglês.

- Erre Gê please!?

- No Comprendo. I need to Pass.

- Erre Gê please!?

- I need to find Sarah Connor.

Josias pega seu RG e tenta mostrar ao gringo do que ele esta falando.

- Erre Gê!! Please.

- I’ll be back.

O gringo deixa o salão e o telefone toca. Era Diana

- Josias! Eu to gravida!

O som de vidro quebrando não deixa ele responder – uma carro invadiu o salão sendo guiado pelo gringo. O carro acerta Josias em cheio. Josias é arrastado até a parede que freia o carro.

T-800 ignora o segurança morto e chama o elevador.

Augurio - Parte 01/??

Quando vocês estiverem reunidos em meu nome – EU estarei com vocês  Essa é a promessa que Jesus fez a nós e aqui estamos para cobrá-la – com a certeza de que ele está conosco nesse momento

Aleluia!

Da mesma forma que o  Anjo avisou Maria que deveria fugir para o Egito , para fugir da ira sangrenta de Herodes é meu dever reportar que um anjo me visitou.

Eu sei que alguns podem duvidar da presença do espirito santo na nossa comunidade mas sei que ninguém questionaria o testemunho de um sacerdote que é como vocês de carne e osso. Eu questionei meu olhos também e meus ouvidos a cada palavra que aquele ser maravilhoso me professava. A voz era como musica. De si irradiava a mais pura luz que é apenas conferida aos imaculados. Eu senti o toque do senhor em seu Arauto  O Anjo. Deus mandou um anjo em seu nome para nossa comunidade.

Aleluia!

O Anjo disse: Tobias, tome sua voz em seu púlpito e avise o seu povo.  E aqui estou.

O Mal ronda sua vila. E no coração do impuro o Mal procurará abrigo. Existe um homem que recusou Deus á sua porta. E se este homem não aceitar Deus  a ruína cairá sobre os puros.

E estas foram as palavras do Anjo – E na mesma intensidade eu entrego a vocês.  Rogo que procurem seus corações nesse momento. Repitam comigo.

Eu aceito Deus em Mim – Deus me faz teu instrumento!
Eu aceito Deus em Mim – Deus me faz teu instrumento!

Eu Renuncio ao Mal – Deus me salva desse tormento!
Eu Renuncio ao Mal – Deus me salva desse tormento!

Amém!
Amém!

Bluecicleta

Eu tinha uma bicicleta azul que eu gostava muito. Ela era da Monark e não da Caloi como eu especificamente orientei os meus pais. Ela era de um tom azul claro e tinha um adesivo verde claro. Eu usei ela por uns cinco ou seis anos.  Como eu era novo eu não podia ir muito longe com ela, então eu ficava dando voltas e voltas na quadra. Qualquer buraco novo na rua era mais diversão.  As vezes eu só virava ela de ponta cabeça e ficava girando o pedal como se fosse uma manivela.  As vezes só ficava montado nela conversando na rua. Logo se criou um grupo da bicicleta na rua. Eramos uns oito ou nove e sempre inventávamos motivos bestas para sair por aí pedalando. As vezes íamos numa oficina no outro lado do bairro apenas para encher  pneu.  A minha primeira deliquencia aconteceu numa destas depois de uma chuva que tinha encharcado o bairro subíamos numa rampa íngreme da garagem de um vizinho e despencávamos dela tão rápido quanto possível em direção a uma tábua equilibrada em um tijolo -  um radical salto de alguns centímetros. O dono da casa irritado, ameaçou denunciar os vândalos para seus pais. Ignoramos e continuamos a emporcalhar a garagem com a lama. O Dono então buscou uma câmera.  Todos os delinquentes então tiraram as camisetas e fizeram de balaclava – Como se os pais não fossem reconhecer eles. E aí que resolvi tirar a balaclava, subir na rampa dele:

Filma ae Galvão!

O Dono veio então atrás de mim e me deu um sermão longo sobre como ele sabia que eu era um bom rapaz que estava sendo mal influenciado e me liberou ileso. Além disso a Bicicleta azul me permitiu visitar alguns amigos que moravam mais afastados de mim. Eu costumava ganhar alguma carona, mas sempre que era recusado a bicicleta me levava pra cima e pra baixo. Liberdade!

Conforme eu envelheci a bicicleta foi ficando encostada. Eu continuei gostando dela, mas a deixei muitas vezes no tempo. E quando por acaso me deparava com ela no quintal me desesperava ao ver o pneu murcho ou ao ver ferrugem na corrente. Imediatamente partia ao reparos. Graxa na corrente, enchia os pneus. Andava com ela mas logo largava novamente. E infelizmente só compartilhava algum momento com a bicicleta quando esbarrava nela -  eu gostava muito de arrumar ela e me cortava o coração ver ela sofrer. E pior foi notar que ela tinha sido roubada.  Não tenho noção de quando aconteceu. Ela simplesmente deixou de reaparecer. Me senti muito mal por alguns dias, mas pensei que com alguma sorte- A Graxa e o Ar que eu neguei por preguiça nunca mais a falte. 

The Ripper

Há quem diga que a criação define o caráter da criança, que como um bloco de argila esta pronta para se moldada ao desejo de seus progenitores.No curto período entre a estréia do pequeno no mundo até que a educação surta algum efeito existe um período onde o sadismo é aceitável.

6:35 no terminal de ônibus e eu estava pronta pra mais um dia idiota, o sapato preto com salto mediano recém reformado, a calça social preta em conjunto com o blazer e uma camisa cinza. Sob o uniforme uma malha fina evita que como escrava dessa moda de calças baixas um oportunista não possa ver fatias da minha pele. Duzentas e tantos a minha esquerda , cento e poucos a minha direita e apenas um dos meus inimigos caiu.

Sapato, jeans amassado, camiseta branca, pneu, massa vermelha, linha vermelha, pneu .

 Satisfação, um riso constrangido, o corpo pede ar e eu seguro, uma tosse. A multidão se divide em suspiros horrorizados e excitação disfarçada.

Ele morreu! Chama a ambulância.

Não acredito que ainda tenham descoberto a cura para a falta de uma cabeça, ou processo que restaurasse o patê rosa e vermelho em que o ônibus escorregou. Um raio percorreu meu corpo, todos os meus pelos se eriçaram. Haja naturalmente. Levo a mão ao rosto. Enfrentei o rebanho que tenta a força chegar mais perto da poça vermelha que está crescendo. Entrei no primeiro ônibus que abriu as portas, não tive tempo de ver pra onde ele ia. A minha mão estava inchada. Os músculos do meu rosto estavam doendo, estava muito difícil não rir. Apertei meu braço tão forte que deixei quatro marcas vermelhas no meu braço. No ônibus ninguém falou nada, mas escutava um eco: - Bom dia! me chamo Leomar , e estou aqui em nome dos meus amigos do Lar Abraão, O Lar Abraão atende oitenta e cinco jovens ex-viciados em drogas. Eu sou um deles, mas graças ao senhor Deus eu estou limpo a dois anos. No entanto a casa Abraão é mantida apenas com doações e a venda dessas canetas que eu vou distribuir agora… Uma freiada brusca interrompeu o fantasma, e dois pontos depois eu desci. Entrei no saguão do prédio e tomei as escadas ao invés do elevador, subi dois andares e me sentei no escuro. Silencio. Eu pensei que devia chorar, ficar nervosa mas nada acontecia. Era estranho mas, eu estava bem – pela primeira vez. Subi as escadas até o andar do meu escritório.

Nada tinha mudado. O escritório era uma bolha onde o tempo não passava. No escritório as pessoas só morrem de velha. Lembrei do atropelamento. A imagem da mancha de sangue expandindo e esse mundo cinzento eram completamente incompatíveis. Uma das duas tinha que ser mentira.

Caras legais vão para o céu!

Nestor se pergunta se é bom. Seus pais sempre lhe disseram que era. A Igreja sempre lhe disse que era.  Nestor é um cara legal. Nestor paga seus impostos. Nestor  dá esmola aos guardadores de carro. Nestor ajuda o instituto AMA. Nestor vota consciente. Nestor paga seu financiamento sempre em dia.

- Vai vai vai!
- Sai da frente!

Empurram Nestor que quase cai no chão. Um som grave e seco invade a cabeça de Nestor. Um clarão vermelho. A cabeça ordena que ele corra.

- Onde você pensa que vai?

Uma mão o segura pelo pescoço. Barbudo , Cabeludo , arma prateada , gelada na testa de Nestor.

- A Vadia merecia morrer. Você não.

As pupilas escancaradas pela noite tentam suprimir o jorro de luz que invade os olhos de Nestor. Sangue quente escorre enquanto ele cai. Uma pintura de guerra. A calçada fria acolhe o corpo que cai.

Passos a distancia.

Alguns carros.

Uma sirene.

Uma mão branca.

Nestor Levita.

***

Um estranho tipo de telejogo desenha linhas numa tela preta. 86 pontos. 87 Pontos. 88 Pontos.

Você está me ouvindo ?

Lanterna no olho.

Tá me ouvindo?

Sim.

Qual é seu nome?

Nestor

Parabéns Nestor você sobreviveu a um tiro na cabeça.

Insegurança

Ele espera que eu lhe comprimente , estenda a mão e aperte a mão dele. Eu não sinto nenhuma predileção por esse ritual como sempre. Mas lá estou eu apertando a mão e sorrindo. Ele pergunta se está tudo tranquilo. Respondo que sim. Quem bom que pra alguém tá. Credo. O tempo por que diabos ele quer me falar do clima? Eu moro nessa cidade cinzenta desde sempre. Agora ele resolveu contar que está muito ocupado. Duvido que esteja. Vai dizer que ganhou aumento também. Não creio. E o final de semana? Eu pergunto – auto flagelo. Como se aquela cara gorda e padrão tivesse feito algo que preste na vida. Aniversário. Imagino ele sentado na cadeira de plastico com o copo de cerveja na mão imitando os amigos entre uma mentira e outra uma linguicinha e um beijo na mulher. Ele pergunta sobre mim. No rosto a expressão denota: Vai diz que fez algo mais legal! Duvido! Eu invento algo qualquer.Uma festa.  Agora ele quer saber aonde foi. Vou dizer que foi num barzinho da moda. Algo popular o suficiente pra ele ter ouvido falar. Aí ele parou por alguns segundos.  E perguntou se eu tinha bebido bastante. Respondi que não bebia. Ele me responde que não entende porque e que sem a Bera ele não teria aguentado aquele porre de festa. Curioso não. Parece que ganhei o round 1. Ele então joga o trunfo uma viagem pro exterior.  França. O que diabos você vai fazer na França? Você nunca deve ter provado uma Dijon na vida. Credo. Vai tirar foto da Monalisa né. Que Legal. Eu não sei se vou viajar não. Eu vou indo nessa. Tchau.  Quando você se toca que está no palco fica muito mais difícil atuar. O meu amigão ali nunca viu o teatro.

Trevas

A planície azul está sendo sitiada. O exército cinza marcha no horizonte. Não existem defensores, barreiras, nada. Nenhuma resistência  O exercito cinza urra numa só voz. O Grito toma corpo e toma o campo em sua própria velocidade. O Exército segue tão rápido quanto pode. Não há resistência. A planície some sob os pés da armada cinzenta. Canhões são disparados. O vento é aliado dessa força bélica, que impulsiona mais tropas. A massa cinza se torna negra. Os soldados estão empilhados. Um feixe de luz parte rumo aos céus. A tropa comemora. O povo do céu arma escudos de lona e se esconde em suas construções cinzentas. A tropa se enfurece mais ainda. Mais feixes de luz são atirados e o povo do céu ignora. Um cântico de batalha numa linguá proibida começa ser entoado. Milhares de gargantas. O vento carrega o ódio até o povo do céu, que ainda não esboça reação. O ódio impulsiona os diafragmas além da capacidade.O frenesi chega ao ápice. O urro final de um esquadrão inteiro rasga seus integrantes. Os mortos transbordam sangue cristalino que é atirado contra os céus. O sangue é guiado por uma estranha magia e banha o povo do céu. Os prédios resistem. Os escudos de lona redirecionam a fúria liquida. Os soldados restantes continuam a entoar a canção e atirar as entranhas dos caídos  Os últimos feixes são lançados. A fúria dá lugar ao silencio. Os soldados sobreviventes trocam o cinza por vestes brancas.

 O luto.

E o povo do céu continua a ignorar.

Doppio

As papilas gritam. O fluido jorra para dentro da boca numa vez só. É  irresistível. O Alcaloide chega em segundos aos neurônios. Bloqueia os freios do  sistema. A cabeça acelera. Acelera.O Corpo adere ao movimento. O Coração acelera, as mãos esfriam, os músculos retesam e as pupilas dilatam.  Os dedos se movem sozinhos. A pressão aumenta. A cabeça dói. A dose é diária.

O grande presente do Brasil para o Mundo.

E então é isso, você chegou aqui achando que ia ler um texto sobre alguém fazendo alguma coisa, mas hoje não. Hoje você é o protagonista! Que maravilha. Você está como sempre acordando cedo no sábado, o dia em que você deveria dormir até tarde. Algum filha da puta resolveu tocar a sua campainha. Você se levanta e espia pela janela mas não consegue ver ninguém. Você resolve ignorar seja lá quem for. Mas ele não desiste . Você corre até o interfone e urra o OI mais agressivo possível.
- Oi aqui é Alberto.
Alberto, o gringo que mora perto da sua casa, o Gringo que você prometeu ligar um dia para vocês irem comer algo. Você fica pensando o que diabos aconteceu pra ele te acordar desse jeito. Você abre a porta pra ele e corre para vestir algo mais decente.
Alberto está com uma mochila enorme que ele derruba na sua sala.  Ele te encara na sua roupa “mais decente”
- Você não arrumou as suas coisas?
Você vasculha a sua memoria e não consegue ter ideia do que ele está falando. Ele lê a sua expressão e completa.
- A trilha. Vamos subir o morro catedral. Lembra?
- Nossa desculpa. Você então se lembra do email que você não respondeu. Você ia dizer que não ia.
- Poxa eu não me arrumei ainda  desculpa, acho que você vai ter que ir sem mim. Você improvisa.
- Sem problemas. Eu ajudo você.
- Sabe eu não sei, to com o pé meio dolorido sabe?
- Ahn eu tenho uma pomada aqui bem boa ó. Alberto começa abrir a mala em busca da tal pomada.
Você deixa a sala e se troca de novo. E você tenta novamente.
- Então to sem mochila. Não to achando.
- Eu tenho outra no carro vou ali buscar.
- Não pera lembrei. Ta aqui a mala.
Você desiste. Embala suas coisas e vai. E se diverte muito. Você tira inúmeras fotos. Você planeja fazer isso de novo mais vezes. As semanas passam e você não faz nada. E volta a dormir até tarde.

ON

Eu já tinha ouvido falar de automóveis mas essa historia de colheitadeiras automáticas tá me assustando. É claro que as crianças tão adorando o diabo do robô…

Querido, fique tranquilo. Pense no tempo que você vai poder ficar em casa!  Nada de ficar correndo campo acima com aquela carroça que sempre quebra. Você ta ficando velho, tem que se cuidar.

To ficando velho o que? Eu vou cultivar essa terra pelo menos por mais 30 anos!

Você que sabe Homero. Mas todo mundo ta pegando uma colheitadeira. Todo mundo vai ficar tranquilo e você vai ficar sofrendo no milharal.

Todo mundo quem?

O Seu Nédson, a Odete , a Dona Neura até os lá do rio tão pegando.

Vish, daonde esse povo ta tirando todo esse dinheiro?

Se não sabe? Eles tão cobrando só um pedacinho da lavoura. Não precisa pagar. Aí se deus o livre, chover demais a gente não perde tanto.

Mas quanto que eles querem?

10%

Se tá louca mulher?  10% pra igreja 30% pro governo e agora 10% pro robô.

A gente podia parar de ir na Igreja.

Se tá louca mesmo né, quer trocar Jesus pelo robô.

Deixa de ser bobo Homero. Que medo besta.

Dois meses depois a colheitadeira WTRAX o ultimo modelo de 1953 chegou na fazenda de Homero. A caixa de madeira foi aberta com cuidado revelando um homem metálico abaixado olhando seus próprios pés.

Homero observava de longe enquanto Judite admirava seu novo funcionário. Após um leve toque em sua nuca WTRAX se levantou exalando vapor. Seus olhos acenderam e após alguns bips.

WTRAX Serie 3 1953.

Rodando Diagnóstico

Status Ok.

Pronto para Operação.

 

A cada fala de WTRAX Judite dava um gritinho de alegria. As crianças estavam boquiabertas.

AGUARDO COMANDO  WTRAX respondeu.

Olá WTRAX. Eu sou Judite, esses são Marcos e Minerva e aquele no fundo é meu marido Homero.

AGUARDO COMANDO  WTRAX respondeu.

Judite procurou na caixa o manual, vasculhou o livreto e disse:

Inicio.

INICIANDO CONFIGURAÇÃO

QUAL É MEU NOME ?

Judite consultou as crianças, do que chamamos ele? Não houve consenso. Judite queria Bóris, Marcos queria Rex e Minerva queria um nome de menina. Homero , irritado com  discussão saiu da sala. Demorou uns 10 minutos para Judite notar que seu marido tinha saído da casa.

Homero! Volta aqui!

NOME ACEITO

Quando Homero retornou a sala encontrou seus filhos rindo, tinham batizado a colheitadeira com o mesmo nome do Pai. Homero ficou furioso. E exigiu que Judite reparasse isso, ela até tentou , mas o manual guardava alguns mistérios que Judite nunca desvendaria.

Como tudo, em algumas semanas as crianças perderam todo o interesse pelo Homero metálico. Judite tinha o controle total do robô e o usava até para algumas tarefas dentro da casa. Homero fazia o máximo para desmerecer o servo robótico.

A colheita finalmente veio. E Homero metálico começou a brilhar. Ele não só colhia mais rápido que o Homero de carne, ele também debulhava  e ensacava. Judite refez as contas varias vezes e anunciou.

Nunca tivemos tanto lucro Homero!  Olha isso!  Precisamos comprar uma carroça maior para levar tudo isso pra cidade!

FUNÇÃO TRANSPORTADORA ATIVADA

Homero metálico carregava sacas inteiras em seus braços e as levou três a três até a cidade. O ódio no peito de Homero cresceu a cada saca que deixava a fazenda. Se sentiu inútil  Completamente inútil  Com muito tempo em suas mãos voltou a beber – hábito que tinha abandonado a muito tempo.  Ele e Judite quase não se falavam mais.  As garrafas de Whiskey vazias se empilhavam na varanda, e Homero só voltava para casa para dormir.

Sua lata velha! Como  você ousa me substituir assim? Homero encontrou seu sósia de carne ao prantos.

AGUARDO COMANDO

Que comando? Você faz tudo!

AGUARDO COMANDO

Que comando?

AGUARDO COMANDO

Cale a boca!  Gritou o Bêbado quebrando uma garrafa na cabeça do Robô.

AGUARDO COMANDO

Judite e as crianças acordaram a tempo de ver o ataque.  Homero se envergonhou de sua embriaguez, tentava esconder das crianças, elas sabiam é claro.

Você tá louco Homero? Judite gritou. E as crianças seguiram com o mesmo tom de reprovação.

Diagnóstico! Janete comandou.

OK

HOMERO suba até meu quarto agora.

Os dois Homeros responderam. Você não Pai! Marcos gritou. Você fica aqui embaixo.

O Que? Ele vai ficar no quarto?

Sim enquanto você não curar desse porre. Vamos crianças.  E num baque a porta fechou. Ele se zangou,chutou a porta, gritou e finalmente chorou. Pediu perdão. Mas ninguém abriu a porta naquela noite.

Homero  vasculhou o resto da casa atrás do manual daquela coisa. Ele sabia que tinha que destruir o Homero ou ninguém mais o respeitaria. Ele finalmente achou e leu todas as instruções, quando terminou o sol ja estava despontando no horizonte. Escondeu o livreto  e arrumou toda a casa.

Os filhos encontraram o Pai no sofá dormindo. Acorda! Acorda!

O velho Homero parecia sereno como sempre.

Promete parar de beber? Por favor?

Prometo.

Ele sabia que Janete tinha mandado eles fazerem isso. E era perfeito para seu plano.

As semanas que se seguiram Homero se comportam o tão bem quanto podia. Em duas semanas tinha recuperado sua cama, mas Homero Robô ficava trancado em um armário. Dois meses depois ela cansou de trancar e finalmente os dois Homeros se encontraram.  Era um domingo a tarde e Judite tinha saído com as crianças. Homero tinha ficado em casa  alegando estar doente.

Homero !

AGUARDO COMANDO

Homer tinha lido e relido e decorado os comandos.

Homero renomear!

QUAL É MEU NOME ?

Homero gargalhou alto. Ele descobriu que sem o nome ninguém comanda aquele robô.

QUAL É MEU NOME ?

Lata Velha!

NEGATIVO, QUAL É MEU NOME ?

Seu nome é Lata Velha!

NEGATIVO, QUAL É MEU NOME ?

Homero consultou o manual. Não havia restrição de nome.

QUAL É MEU NOME ?

Bóris! Você é o Bóris!

NEGATIVO, QUAL É MEU NOME ?

Homero foleou o manual de novo  Porque? Por que não conseguia renomear o Robô?!

AJUDA ?

O Robô parecia entender Homero.

Por que não consigo renomear você?

EU SOU HOMERO.

Então você é o Homero? Desligue o Homero agora!

AFIRMATIVO.